Especialista em Psicopedagogia defende avaliação como ferramenta para transformar a aprendizagem e ganha destaque por metodologia inovadora aplicada em sala de aula

Relato de experiência desenvolvido por Taise de Lima Modesto demonstra como estratégias lúdicas e avaliação formativa podem aumentar o interesse dos alunos, fortalecer a aprendizagem e apoiar a tomada de decisão pedagógica

Em um momento em que a educação brasileira busca alternativas para enfrentar a defasagem de aprendizagem e aumentar o engajamento dos estudantes, práticas pedagógicas baseadas em evidências vêm ganhando espaço entre especialistas. Uma dessas experiências foi desenvolvida pela pedagoga e especialista em Psicopedagogia Taise de Lima Modesto, que apresentou uma metodologia capaz de transformar a avaliação em um instrumento de aprendizagem, e não apenas de mensuração do desempenho escolar.

O trabalho, intitulado “A prática avaliativa a favor da aprendizagem e da tomada de decisão tanto do docente quanto do estudante”, foi desenvolvido durante sua atuação na Rede SESI-SP com alunos do 5º ano do Ensino Fundamental e apresenta uma proposta de avaliação formativa construída a partir de atividades lúdicas, participação ativa dos estudantes e acompanhamento contínuo da aprendizagem. 

O estudo parte de uma constatação comum em muitas escolas brasileiras: a resistência dos estudantes em disciplinas consideradas complexas, como História. Após realizar uma sondagem diagnóstica, Taise identificou dificuldades significativas na argumentação, na produção escrita e na participação durante as aulas. Em vez de utilizar uma avaliação tradicional, decidiu transformar o próprio processo avaliativo em uma estratégia pedagógica de construção do conhecimento. 

Segundo a especialista, avaliar não significa apenas atribuir notas. “A avaliação precisa ser compreendida como parte do processo de aprendizagem. Quando ela deixa de ser um momento de punição e passa a orientar tanto o professor quanto o estudante, ela se transforma em uma poderosa ferramenta para desenvolver autonomia, pensamento crítico e protagonismo”, afirma Taise de Lima Modesto.

A metodologia utilizou uma gincana histórica construída pelos próprios estudantes. Ao longo das aulas, os grupos elaboravam perguntas e respostas sobre os conteúdos estudados, que posteriormente eram sorteadas durante a atividade avaliativa. A proposta estimulou pesquisa, cooperação, argumentação e participação ativa de toda a turma, tornando o processo muito mais significativo do que uma prova convencional. 

O diferencial da experiência foi justamente integrar avaliação diagnóstica, avaliação formativa e avaliação classificatória dentro de um único processo, permitindo ao professor acompanhar continuamente as dificuldades dos alunos e ajustar sua prática pedagógica sempre que necessário.

“Quando o professor utiliza a avaliação para compreender como cada estudante aprende, ele consegue tomar decisões pedagógicas muito mais assertivas. Não estamos avaliando apenas resultados; estamos identificando caminhos para promover o desenvolvimento de cada criança”, explica a psicopedagoga.

Especialistas em educação apontam que essa visão acompanha as discussões mais atuais da área. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reforça a importância da avaliação contínua como instrumento de acompanhamento do desenvolvimento das competências dos estudantes, enquanto pesquisas nacionais e internacionais demonstram que estratégias de aprendizagem ativa favorecem maior retenção do conhecimento, desenvolvimento socioemocional e participação dos alunos.

No relato de experiência, Taise também demonstra como recursos como dramatizações, rodas de conversa, pesquisa colaborativa, leitura dramática e atividades investigativas despertaram a curiosidade dos estudantes e aumentaram significativamente o interesse pelas aulas de História. Durante o processo, os próprios alunos passaram a formular hipóteses, discutir conceitos históricos e construir coletivamente o conhecimento, fortalecendo habilidades como liderança, cooperação, comunicação e autonomia. 

Para a especialista, a motivação não é consequência da aprendizagem; ela faz parte dela. “Toda criança aprende melhor quando encontra significado no que estuda. O papel do educador é criar experiências que despertem curiosidade, promovam participação e respeitem as diferentes formas de aprender. Quando isso acontece, a avaliação deixa de ser um momento de ansiedade para se tornar parte natural do desenvolvimento.”

Ao final da experiência, Taise observou não apenas melhora no desempenho acadêmico, mas também maior envolvimento dos estudantes, fortalecimento do trabalho em equipe e aumento do interesse espontâneo pela disciplina. O próprio processo de elaboração das perguntas da gincana passou a funcionar como estratégia de estudo e consolidação dos conteúdos, favorecendo a aprendizagem significativa. 

Com mais de duas décadas de atuação na educação, Taise de Lima Modesto consolidou sua trajetória como pedagoga e especialista em Psicopedagogia, desenvolvendo projetos voltados ao desenvolvimento infantil, alfabetização, aprendizagem, inclusão escolar e formação de professores. Sua atuação é pautada pela integração entre conhecimentos pedagógicos, psicopedagógicos e estratégias de intervenção voltadas ao desenvolvimento integral da criança.

“Precisamos abandonar a ideia de que avaliar é apenas medir desempenho. A verdadeira avaliação é aquela que produz conhecimento para o professor e oportunidades de crescimento para o estudante. Quando conseguimos transformar esse processo, transformamos também a educação”, conclui Taise.

O relato de experiência desenvolvido pela especialista permanece atual ao demonstrar que práticas pedagógicas centradas na participação ativa dos alunos e na avaliação formativa podem contribuir para uma aprendizagem mais significativa, reforçando o papel estratégico da Psicopedagogia na construção de ambientes educacionais mais inclusivos, motivadores e eficazes.